# NTC 10K Tipo II, Tipo III e 20K: entenda as diferenças

> Entenda as diferenças entre NTCs 10K Tipo II, Tipo III e 20K, como o Beta influencia a curva de resistência e por que a tolerância do termistor é importante na medição de temperatura.

Publicado em: 2026-06-01
Categoria: Blog
Fonte: https://www.aeristecnologia.com/artigos/blog-conhecendo-ntc

Na área de climatização, três tipos de NTCs são predominantemente utilizados: [10K Tipo II, 10K Tipo III e 20K](https://www.aeristecnologia.com/produtos/sensor-ntc).
A padronização desses NTCs permite a interoperabilidade entre diferentes fabricantes, possibilitando, por exemplo, o uso de um sensor de um fabricante conectado a um controlador de outro.

Apesar disso, as nomenclaturas são frequentemente utilizadas sem que as características da curva de resistência sejam consideradas. Por isso, é possível encontrar diferentes NTCs identificados como 10K Tipo II ou Tipo III com curvas diferentes.

No caso dos NTCs de 20K, a situação pode ser ainda mais complexa, já que essa identificação, isoladamente, não define uma curva específica.

# **NTC 10K, 20K e a compatibilidade com o controlador**

Uma boa prática na compra de um termistor é solicitar sua tabela de resistência x temperatura e compará-la com a tabela utilizada pelo controlador.
A resistência nominal, sozinha, não é suficiente para garantir a compatibilidade.

Dois NTCs podem ser classificados como 10K e, ainda assim, apresentar comportamentos diferentes ao longo da faixa de temperatura.
Por isso, é importante verificar:
- Resistência nominal;
- Curva de resistência x temperatura;
- Tipo do NTC;
- Valor de Beta;
- Faixa de temperatura de operação;
- Tolerância especificada pelo fabricante.

# **O que é o Beta do NTC?**

O Beta é uma constante utilizada para representar o formato da curva de resistência de um termistor em função da temperatura.
Ele é amplamente utilizado pelos fabricantes, mas nem sempre aparece na documentação disponibilizada pelo vendedor.

Quando o valor não é informado, é possível calculá-lo a partir de dois pontos da tabela de resistência x temperatura, preferencialmente com pelo menos 10 °C de diferença entre eles.
A equação utilizada é:
![Equação 1 - NTC](https://www.aeristecnologia.com/atualidades/artigo-105-2.webp)

Em que:
- T1 é a temperatura em Kelvin (K) do ponto 1
- T2 é a temperatura em Kelvin (K) do ponto 2
- R1 é a resistência em ohms (Ω) do ponto 1
- R2 é a resistência em ohms (Ω) do ponto 2

# **A referência de temperatura do Beta é importante**
O valor de Beta deve sempre ser acompanhado pela referência dos valores de temperatura utilizados no cálculo.
Isso é importante porque um mesmo termistor pode apresentar diferentes valores de Beta dependendo da faixa de temperatura considerada.
O uso de um valor de Beta sem conhecer sua referência pode gerar erros significativos, principalmente em aplicações nas quais a temperatura se distancia de 25 °C.

**Beta dos NTCs 10K Tipo II, Tipo III e 20K**

A partir da equação apresentada e dos dados das tabelas de resistência x temperatura dos NTCs 10K Tipo II, 10K Tipo III e 20K, é possível obter referências de Beta para cada curva.
![Tabela 1 - Betas calculados a partir dos dados da tabela de resistência x temperatura dos NTCs 10K Tipo II, 10K Tipo III e 20K.](https://www.aeristecnologia.com/atualidades/artigo-105-4.webp)

No estudo original, considerou-se que uma variação de ±10 no valor de Beta gera um erro desprezível, inferior a 0,1 °C em temperaturas elevadas.

**A importância da tolerância do termistor**

Mesmo quando o Beta é conhecido, outro fator precisa ser considerado: a tolerância do próprio termistor.
Quando o controlador ou gerenciador permite o uso de tabelas customizadas, é possível utilizar termistores com diferentes valores de Beta. Entretanto, a precisão especificada para o NTC continua sendo relevante.
De modo geral, existem dois tipos de controle de tolerância utilizados pelos fabricantes:

1. **Aferição em curva** (curve-matched)

    Nesse método, a tolerância é garantida ao longo de uma faixa de temperatura.
Um exemplo de especificação é:

- 0,2 °C @ 0–70 °C

Isso significa que o erro máximo especificado é de 0,2 °C em toda a faixa entre 0 e 70 °C.

2. **Aferição em ponto único** (point-matched)

    Nesse caso, a tolerância é garantida em apenas um ponto de temperatura.
Uma especificação típica seria:

- 1% @ 25 °C ou
- 0,22 °C @ 25 °C

Nesse exemplo, a tolerância é garantida especificamente na temperatura de 25 °C.

# **Qual tipo de aferição utilizar?**

A escolha depende da aplicação.
- Aferição em curva é mais adequada para ambientes ou processos em que a temperatura varia ao longo do tempo e não existe uma única temperatura de operação crítica.
- Aferição em ponto único pode ser adequada para processos que permanecem próximos à temperatura na qual a tolerância foi especificada ou que são críticos especificamente naquele ponto.

O problema aparece quando um termistor aferido em um único ponto é utilizado em uma aplicação com grande variação de temperatura.
Nessa situação, a tolerância pode aumentar significativamente conforme a temperatura se distancia do ponto de aferição.
![Figura 1 - Curva de tolerância dada pela fabricante, com aferição em 25°C.](https://www.aeristecnologia.com/atualidades/artigo-105-3.webp)
Como mostra a figura, um termistor especificado em 5% @ 25 °C possui sua tolerância definida em torno desse ponto. À medida que a temperatura se afasta de 25 °C, o erro pode aumentar.

**Por que a escolha do NTC importa?**

Utilizar um termistor com especificações inadequadas para a aplicação pode resultar em erros significativos na medição de temperatura.
Esses erros podem afetar:
- Conforto: controle inadequado da temperatura dos ambientes;
- Produtividade: condições ambientais fora do esperado;
- Processos: perda de precisão em sistemas que dependem da temperatura;
- Eficiência energética: operação inadequada de sistemas de climatização e refrigeração.

Em muitos casos, o custo adicional de um termistor com especificações adequadas é pequeno quando comparado aos impactos que uma medição incorreta pode causar no sistema.

# **Conclusão**

A identificação 10K Tipo II, 10K Tipo III ou 20K não deve ser o único critério utilizado na escolha de um NTC.
Para garantir a compatibilidade e a precisão da medição, é importante analisar:
- A tabela de resistência x temperatura;
- O valor e a referência do Beta;
- A tolerância do termistor;
- A faixa de temperatura da aplicação;
- As características aceitas pelo controlador.

Uma análise cuidadosa desses parâmetros ajuda a evitar erros de leitura e garante que o NTC utilizado seja adequado ao sistema de climatização ou ao processo em que será aplicado.
